DEPOIS DE 3H DE NEGOCIAÇÕES, ATIRADOR, MORADOR DE BATAGUASSU, SE ENTREGA À POLÍCIA EM REGENTE FEIJÓ

14 de Fevereiro de 2017

atirador se entregou depois de 3 horas de negociações - reproduçao g1

Depois de três horas de negociações, o atirador que baleou uma mulher nesta terça-feira (14) em uma residência no Jardim Sumaré, em Regente Feijó, se entregou à polícia, por volta das 13h20. Ele foi imediatamente levado para a Delegacia da Polícia Civil. A vítima, que estava em sua residência, não resistiu e morreu no local. A morte de Priscila Silva de Moraes, de 30 anos, foi constatada por um médico, após a rendição do atirador, que é morador de Bataguassu-MS.

 

Durante o período em que permaneceu na residência da mulher, o atirador não permitiu a entrada de policiais e socorristas para o atendimento à vítima, que era cunhada da esposa dele. O homem, identificado como Natanael Soares de Souza, de 71 anos, ameaçava se suicidar. Segundo o médico que constatou o óbito, a mulher foi atingida por dois tiros.

 

O homem armado invadiu a residência, localizada na Rua Marechal Floriano Peixoto, durante a manhã, na tentativa de uma reconciliação com a esposa, Denise Alves Ribeiro, de 30 anos, com quem teve uma discussão. No local, também estavam uma criança de dois meses, filha da mulher que foi assassinada, e um menino, de seis anos, filho do atirador com a esposa, que conseguiram sair sem ferimentos. A esposa do atirador também saiu ilesa do local, depois de buscar ajuda da polícia.

 

O delegado da Polícia Civil, Claudinei Alves, contou que o homem veio de Bataguassu (MS), para onde pretendia levar de volta a sua esposa, que estava morando em Regente Feijó. Caso não conseguisse, ele planejava assassinar a esposa e depois se suicidar. No entanto, ao efetuar os disparos, a cunhada da esposa entrou na frente e foi atingida por dois tiros no peito. Um outro tiro ainda atingiu a parede do lado da casa onde estava a mulher do atirador. A esposa saiu correndo do local, em busca de ajuda da polícia, depois dos disparos.

 

Com o homem, foram apreendidos um revólver de calibre 38 municiado e ainda 25 cartuchos íntegros que ele mantinha no bolso. Ainda de acordo com o delegado, o homem foi preso em flagrante por feminicídio.

 

Disparos
“O vizinho, que é um policial militar reformado, ouviu alguns disparos. Em seguida, ele correu para fora da casa dele para ver o que estava acontecendo. Foi quando ele viu o autor correndo e discutindo com uma mulher. De imediato ele ligou para a polícia e a vítima correu para a delegacia, que é aqui próximo do local. Aí chegou o delegado junto com uma equipe da Polícia Militar e nisso iniciaram-se as negociações”, contou o capitão Júlio César Domingues, da Polícia Militar.

“Primeiro a gente percebeu o garoto, o corpo da vítima no chão e o autor do disparo. Descobrimos na hora que era filho dele. Já de imediato, tentamos conversar com ele, tanto o delegado quanto a equipe de policiais que estavam aqui, e de cara ele já liberou o filho dele. Depois de uns 15 minutos, a gente ouviu um choro de um bebê, aí perguntamos a ele ‘que choro é esse?’ e ele disse que havia uma criança lá dentro. Perguntamos se podíamos retirar a criança e ele disse que não, que ninguém ia entrar lá”, complementou o oficial.

“Após isso, chegou uma equipe da Força Tática de Presidente Prudente, nós demos a volta na casa e, por uma janela, conseguimos ter acesso dentro da residência e no quarto onde se encontrava a criança. Resgatamos a criança, um bebê de colo. No local, permaneceram o autor e a vítima caída ao solo”, detalhou.

 

O capitão contou que toda vez que os policiais tentavam resgatar a vítima o atirador ameaçava se matar ou intimidava os agentes. “A todo o momento ele dizia que iria se matar. Ele falava que tinha feito uma besteira, que na verdade ele queria matar a esposa e não a cunhada, que ele tinha perdido tudo o que ele tinha na vida e se mostrava irredutível na questão do suicídio. A todo o momento ele dizia que iria atirar, chorava muito, pedia perdão a Deus e dizia que ia se matar”, narrou Domingues.

 

Conforme o oficial, a casa é de madeira e a ação aconteceu na parte externa do imóvel, em uma área de serviço.

Domingues relatou que o atirador não percebeu o momento do resgate do bebê, pois os policiais conseguiram acessar o quarto pelos fundos da casa.

“A gente tinha a visão dele sentado e do corpo no chão. Outra equipe, que estava do outro lado da casa, tinha acesso e ficava de frente com ele a aproximadamente dois metros”, afirmou o capitão.

 

Arma na cabeça
“A todo o momento ele estava com a arma na cabeça. O máximo que ele fazia era trocar a arma de mão. Aí teve um momento em que ele abaixou a arma, começou a chorar e disse que ia se entregar. Aí entrou o pessoal com escudo, pegou a arma dele, revistou ele e encontrou mais munição no bolso”, detalhou Domingues.

“Aí, em um determinado momento da conversa, a gente percebeu que, ao tocar no nome dos filhos, ele se acalmava.

 

Então, nós dizíamos que ele ainda tinha um filho para cuidar e, em todo o momento, o delegado estava ao lado ajudando na negociação. No final, percebemos que ele já estava bem cansado. Aí a gente conseguiu que ele se entregasse”, salientou o capitão.

Segundo Domingues, as investigações prosseguirão para descobrir qual o real motivo do crime, por que o atirador veio para Regente Feijó e se a situação é mesmo por causa da separação do casal.

 

*G1

 

 

 

Deixe seu comentário